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Ameaçada a liderança mundial do Brasil nas exportações de café solúvel
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Ameaçada a liderança mundial do Brasil nas exportações de café solúvel
por Notícias Agrícolas:
Concorrência industrial da Ásia afeta o desempenho de indústrias e produtores brasileiros.
O Brasil, desde a implantação do parque industrial de café solúvel, no início da década de 1960, tem se mantido na liderança mundial de produção e exportação do setor. Nos últimos anos, passou a enfrentar a intensa concorrência de indústrias da Ásia, coincidente com o grande aumento da produção de cafés robustas no continente, devido ao crescimento do consumo interno dos países da região, que estimulou o processo de montagem de novas plantas de café solúvel.
O Vietnã encabeça a fila dos países que mais crescem em produção e embarques, acompanhado por Malásia, China, Coreia do Sul, Filipinas e Índia. Essas nações aproveitam o excelente crescimento médio de 6% ao ano no consumo de café solúvel no continente asiático, praticamente o dobro do avanço anual mundial de 3,2%, segundo a consultoria LMC.
A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) divulgou, recentemente, o Relatório Café Solúvel do Brasil, elaborado pela consultoria BARRAL MJORGE, que faz um diagnóstico objetivo da situação atual e dos desafios que a indústria deve superar. A Revista do Café entrevistou o presidente da ABICS, Pedro Guimarães, que confirma que ”as indústrias de solúvel projetam uma queda de 13% nas exportações em 2017, o que significa que 500 mil sacas deixarão de ser enviadas pelas empresas nacionais ao exterior. Com esse desempenho, o setor voltará a registrar os patamares de 2010, quando o País comercializou 3,362 milhões de sacas do produto com o exterior”.
Guimarães entende que “essas perdas, reflexo da escassez de café conilon entre os meses de setembro de 2016 e março de 2017, período em que também os preços da commodity alcançaram níveis recordes acima de R$ 500 por saca, descolando intensamente das cotações internacionais, deixaram oportunidades comerciais para que os concorrentes do Brasil ocupassem de imediato o espaço deixado pelas indústrias nacionais”.
Desde julho do ano passado, a Abics vem comunicando que o Brasil perdeu boa parte dos contratos de fornecimento para as indústrias asiáticas e que esses compradores perdidos dificilmente serão recuperados, o que prejudica não apenas o setor industrial, mas, principalmente, o produtor de café conilon no Brasil, fornecedor da matéria prima às indústrias do País.
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