Voltar
CNC: Balanço Semanal — 10 a 14/07
Categorias:
CNC: Balanço Semanal — 10 a 14/07
Silas Brasileiro / Presidente Executivo do CNC:
Fórum Mundial identifica a perda de rentabilidade dos cafeicultores como o principal problema da atividade. Produtores sinalizam a necessidade de trabalhos conjuntos entre os segmentos para que não haja escassez de café
FÓRUM MUNDIAL DE PRODUTORES DE CAFÉ — De 10 a 12 de julho, estivemos presentes no Fórum Mundial de Produtores de Café, em Medellín, na Colômbia. Em participação no painel “Sustentabilidade Econômica do Produtor de Café”, o presidente executivo do CNC, deputado Silas Brasileiro, apresentou os trabalhos que o Brasil desenvolve para a preservação do meio ambiente e para a geração de empregos e renda a milhões de pessoas, salientando a necessidade de que os gastos com os aspectos socioambientais sejam compartilhados com os demais setores da cadeia produtiva, fazendo com que a sustentabilidade exista, de fato, em seu tripé social, ambiental e, principalmente, econômico.
O presidente do CNC expôs que o País, em 1990, produzia 25 milhões de sacas de café em 2,9 milhões de hectares e que, atualmente, a produção saltou para 50 milhões de sacas em uma área menor, de apenas 1,9 milhão/ha, o que implica um ganho substancial de produtividade – de 8 scs/ha para 26 scs/ha – e evidencia o resultado dos investimentos do Brasil em pesquisa e tecnologia, contribuindo para a preservação do meio ambiente e para suprir a evolução do consumo da bebida, que saltou de 90 milhões para 155 milhões de sacas nesse intervalo. Ele também explicou que a cafeicultura brasileira preza por remuneração justa a seus trabalhadores, de forma que tenham melhor qualidade de vida, enaltecendo o caráter social da atividade.
Frente a esse cenário, Silas Brasileiro esclareceu que a sustentabilidade tem um preço a ser pago, pois são altos os investimentos em pesquisas, no social e na preservação do meio ambiente. Mas quem paga por isso? Ele respondeu citando que apenas o Brasil e os demais produtores têm arcado com esse ônus. Diante disso, o presidente do CNC finalizou reiterando que, para a sustentabilidade na produção cafeeira ser mantida, é necessário que os demais setores da cadeia produtiva contribuam com os gastos relacionados aos elos social e ambiental.
DECLARAÇÃO DO FÓRUM MUNDIAL — O encontro realizado na Colômbia contou com debates ativos em quatro Grupos de Trabalho: (i) produção e produtividade; (ii) volatilidade de preços; (iii) sucessão familiar e trabalho; e (iv) mudanças climáticas. De forma democrática, as conclusões desses GTs vieram das orientações das 1.300 pessoas presentes e originaram a “Declaração Final do Fórum Mundial de Produtores de Café”, que visou a responder duas perguntas: “a cafeicultura mundial é sustentável sob o ponto de vista do produtor?” e “o que podemos fazer coletivamente para corrigir os problemas que se apresentam?”.
As discussões entre os participantes mundiais do Fórum diagnosticaram, como os principais problemas da cafeicultura global, os seguintes pontos:
Atenciosamente,
Deputado Silas Brasileiro
Presidente Executivo
FÓRUM MUNDIAL DE PRODUTORES DE CAFÉ — De 10 a 12 de julho, estivemos presentes no Fórum Mundial de Produtores de Café, em Medellín, na Colômbia. Em participação no painel “Sustentabilidade Econômica do Produtor de Café”, o presidente executivo do CNC, deputado Silas Brasileiro, apresentou os trabalhos que o Brasil desenvolve para a preservação do meio ambiente e para a geração de empregos e renda a milhões de pessoas, salientando a necessidade de que os gastos com os aspectos socioambientais sejam compartilhados com os demais setores da cadeia produtiva, fazendo com que a sustentabilidade exista, de fato, em seu tripé social, ambiental e, principalmente, econômico.
O presidente do CNC expôs que o País, em 1990, produzia 25 milhões de sacas de café em 2,9 milhões de hectares e que, atualmente, a produção saltou para 50 milhões de sacas em uma área menor, de apenas 1,9 milhão/ha, o que implica um ganho substancial de produtividade – de 8 scs/ha para 26 scs/ha – e evidencia o resultado dos investimentos do Brasil em pesquisa e tecnologia, contribuindo para a preservação do meio ambiente e para suprir a evolução do consumo da bebida, que saltou de 90 milhões para 155 milhões de sacas nesse intervalo. Ele também explicou que a cafeicultura brasileira preza por remuneração justa a seus trabalhadores, de forma que tenham melhor qualidade de vida, enaltecendo o caráter social da atividade.
Frente a esse cenário, Silas Brasileiro esclareceu que a sustentabilidade tem um preço a ser pago, pois são altos os investimentos em pesquisas, no social e na preservação do meio ambiente. Mas quem paga por isso? Ele respondeu citando que apenas o Brasil e os demais produtores têm arcado com esse ônus. Diante disso, o presidente do CNC finalizou reiterando que, para a sustentabilidade na produção cafeeira ser mantida, é necessário que os demais setores da cadeia produtiva contribuam com os gastos relacionados aos elos social e ambiental.
DECLARAÇÃO DO FÓRUM MUNDIAL — O encontro realizado na Colômbia contou com debates ativos em quatro Grupos de Trabalho: (i) produção e produtividade; (ii) volatilidade de preços; (iii) sucessão familiar e trabalho; e (iv) mudanças climáticas. De forma democrática, as conclusões desses GTs vieram das orientações das 1.300 pessoas presentes e originaram a “Declaração Final do Fórum Mundial de Produtores de Café”, que visou a responder duas perguntas: “a cafeicultura mundial é sustentável sob o ponto de vista do produtor?” e “o que podemos fazer coletivamente para corrigir os problemas que se apresentam?”.
As discussões entre os participantes mundiais do Fórum diagnosticaram, como os principais problemas da cafeicultura global, os seguintes pontos:
- A rentabilidade da atividade cafeeira em muitos países produtores apresenta uma situação crítica, passando inclusive por períodos de déficit, devido a fatores como: (i) o menor preço internacional do café, que diminuiu drasticamente o “potencial de troca” do produto, ou seja, reduziu o poder de compra do produtor; (ii) baixa produtividade e o consequente aumento dos custos de produção associados à variabilidade climática; e (iii) o encarecimento dos gastos com mão de obra para os trabalhos do cultivo como a colheita.
- A perda da rentabilidade resultou em um percentual significativo de produtores de café que se encontra em estado de pobreza no mundo, com privações em sua qualidade de vida (moradia, acesso a serviços públicos, atraso e baixa assistência educacional, restrito acesso a sistemas de saúde, etc.) e redução da capacidade de reinvestir em seus cafezais.
- Embora o desenvolvimento de cafés especiais tenha gerado “prêmios” aos produtores nas últimas décadas, eles não têm sido suficientes para compensar os custos associados à certificação. A análise do valor da cadeia global de café mostra, ainda, que a fração que chega até os cafeicultores é muito baixa, em contraste com a recebida pelos demais segmentos do comércio até o consumidor final.
- Se não forem implantadas ações corretivas que busquem resolver o problema identificado, de forma coordenada e que garantam o financiamento da atividade, o mundo pode presenciar, em médio prazo, uma crise caracterizada pelo declínio estrutural na oferta mundial de café, com o consequente reflexo no nível de vida dos produtores e na estabilidade social em suas regiões, enquanto a demanda mundial continuará a crescer, sem ser atendida, gerando desequilíbrios indesejáveis no mercado que podem comprometer a sustentabilidade da cadeia global.
- Trabalhar, de maneira corresponsável, com todos os agentes da cadeia mundial e com o apoio da Organização Internacional do Café (OIC), no desenvolvimento de um Plano de Ação que deverá partir dos problemas que enfrenta a atividade cafeeira em suas diversas regiões do planeta, considerando: (i) níveis muito baixos do preço ao produtor e a excessiva volatilidade, sendo a maior fração destinada aos demais elos da cadeia produtiva; (ii) adaptação às alterações climáticas; (iii) escassez de mão de obra e dificuldade na sucessão familiar; e (iv) precárias condições sociais dos produtores.
- O Plano de Ação deverá definir os objetivos a serem buscados, o tempo demandado e o financiamento necessário para alcança-los.
- Deve ser gerido, ao mais alto nível da representação de indústrias, doadores e cooperação internacional, agências multilaterais e governos nacionais e locais, um compromisso de corresponsabilidade para a implantação deste Plano de Ação e a obtenção dos recursos financeiros para a sua execução.
- Como ponto de partida deste Plano de Ação e com base nos subsídios gerados no Primeiro Fórum Mundial de Produtores de Café, será elaborado um estudo por uma entidade independente para analisar o comportamento dos preços nos últimos 40 anos, o comportamento dos custos de produção nesse mesmo período e a correlação entre os dois. O estudo analisará se as cotações internacionais do café, tanto na Bolsa de Nova York, quanto na de Londres, refletem a realidade do mercado físico e apresentará soluções alternativas aos problemas identificados no Fórum.
- Para o desenvolvimento dos trabalhos propostos no Plano de Ação, será formada uma Comissão composta por dois representantes de associações de países produtores da África, dois do México, dois da América Central e Caribe, dois da América do Sul e dois da Ásia, além de pelo menos um representante do setor industrial de cada uma das seguintes regiões: América do Norte, Europa e Ásia.
- Essa Comissão deverá apresentar um relatório do progresso dos trabalhos na reunião do Conselho Internacional da OIC de março de 2018.
- O próximo Fórum Mundial de Produtores de Café será realizado em 2019 e a Comissão coordenará junto aos países a sede da edição seguinte.
Atenciosamente,
Deputado Silas Brasileiro
Presidente Executivo
Outras Notícias