Concurso Senhor Café da Cocapec revela o vigor da safra e a excelência dos cafés especiais
Saiba Mais!
A Cocapec, Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas, concluiu mais uma etapa decisiva do Concurso de Qualidade Senhor Café. Ao todo, foram avaliadas mais de 100 amostras de cafés originários das lavouras localizadas na tradicional região da Alta Mogiana, abrangendo municípios nos estados de São Paulo e Minas Gerais dentro da área de atuação da cooperativa.
Nesta edição, a disputa movimentou o mercado ao dividir os concorrentes em duas categorias principais: natural e fermentado. Durante dois dias intensos de análises sensoriais, um corpo de 16 provadores divididos em dois grupos formados por especialistas convidados de empresas parceiras e colaboradores da instituição, se debruçou sobre as xícaras para desvendar os segredos da safra.
Mais do que uma competição, o Concurso Senhor Café se consolidou como uma ferramenta estratégica de fomento à qualidade. A iniciativa cumpre o papel essencial de estimular a melhoria contínua nas etapas de colheita e pós-colheita, além de projetar a marca dos produtores da Alta Mogiana no mapa global dos cafés especiais, garantindo visibilidade e valorização comercial aos lotes de destaque.

O rigor da avaliação sensorial
O coordenador de operações de café da Cocapec, Carlos Aurélio de Freitas Júnior, detalhou o nível de exigência técnica aplicado no laboratório da cooperativa. Segundo ele, todo o processo segue à risca o rigoroso protocolo internacional do Cup of Excellence (CoE).
“Aqui a gente faz a avaliação de cafés especiais através do protocolo internacional CoE. Avaliamos atributos como: acidez, corpo, doçura, retrogosto, as nuances e também quais as notas que o café tem. Então saberemos se ele tem perfil frutado, de nozes, cacau, se é um café floral. Cada atributo soma uma pontuação e no final saberemos qual é a classificação final de um lote”, pontua Carlos.
O especialista também fez um balanço sobre os desafios impostos pelo clima nesta safra, marcada por intempéries em momentos cruciais do desenvolvimento vegetativo e da maturação da fruta. Apesar do volume elevado de chuvas, que exigiu precisão redobrada dos produtores, o resultado final surpreendeu positivamente.
“Nesses cafés, como eles já são direcionados para o concurso, o produtor já tem um cuidado no pós-colheita para extrair o melhor. Até por isso, nós não detectamos nenhuma interferência drástica na qualidade, embora tenha tido muita chuva, o que afetou principalmente o aspecto físico do grão. Sabemos que o excesso de umidade causou a chamada ‘bebida riada’ ou fermentada, fora que o café afetado fica mais sujeito aos fungos”, explica o coordenador.
A engenharia por trás da xícara: o papel estratégico da torra
Para que a avaliação seja absolutamente imparcial e justa entre concorrentes de microclimas e altitudes tão diversos, a preparação das amostras exige um trabalho minucioso de laboratório. É aí que entra a expertise de Matheus Tinoco, especialista em qualidade de café, que comanda pela segunda vez consecutiva a operação de torras do concurso na Cocapec.
Matheus destaca a complexidade logística e geográfica da área de ação da cooperativa. “Essa é uma função muito importante porque a Cocapec é a maior cooperativa da região. E a Alta Mogiana é uma das maiores regiões produtoras de café do Brasil. Estamos em um local que abrange dois estados diferentes, com altitudes, climas e índices de chuva muito distintos. Então, cada café de uma fazenda diferente, ou mesmo dentro da mesma fazenda, dependendo das ações e processos que o produtor adotar, vai ter características muito peculiares”, relata o especialista.
Diante de tanto dinamismo sensorial, surge o questionamento: qual é o peso real da torra dentro de uma competição dessa envergadura? Matheus esclarece que o processo é a chave para nivelar o jogo.
“Exatamente. Como a gente tem uma região muito grande e cafés muito diferentes, para que todos estejam dentro da mesma ‘caixinha’ e seja justo comparar um café com o outro, é necessário torrar todos da mesma forma. E, por mais antilógico que pareça, para torrar todos os cafés iguais, tem que torrar diferente. É como se eu e você fôssemos tomar sol: não temos como sair exatamente na mesma cor no mesmo tempo. Então temos que fazer intervenções diferentes, torrar um pouco mais ou um pouco menos, para que seja justo comparar um café com o outro. Se eu torro o mesmo grão de forma padronizada sem ajustes, ele reage diferente. Logo, para compará-los com equidade, precisamos conduzir todos ao mesmo padrão final de torra”, compara Tinoco.

Posicionamento de mercado e agregação de valor
Mais do que buscar o troféu, o Concurso Senhor Café funciona como um acelerador de carreiras e de negócios para o produtor rural. No mercado global de cafés especiais, o selo de campeão abre portas de forma imediata.
“O concurso de qualidade é uma forma que o produtor tem de se posicionar no mercado de maneira muito rápida. Porque se ele vira campeão, se detém o melhor café, automaticamente ele já está no pódio, em um patamar de visibilidade que atrai o interesse comercial direto de torrefadores exigentes. Mesmo que ele venda apenas o lote premiado, geralmente já há uma premiação com um valor financeiro bem interessante. Agora, se ele focar no fato de ser um produtor campeão, ele consegue agregar valor a toda a sua produção. Por ser campeão, o café dele como um todo passa a valer mais”, conclui Matheus.
Ao certificar a força técnica, a diversidade e o brio de seus cooperados, a Cocapec reafirma o protagonismo da Alta Mogiana: uma terra onde a tradição da cafeicultura familiar caminha de mãos dadas com a alta tecnologia, a ciência sensorial e a busca implacável pela xícara perfeita.
O resultado final dos ganhadores será divulgado no dia 4 de novembro.
Confira os finalistas:
Categoria Fermentado
| Anne Cristina Ferreira |
| David César Faria Bisco |
| Felipe Maciel Raucci |
| Fernanda Silveira Maciel Raucci |
| Fernando De Oliveira Sarreta |
| Henrique Peixoto Rodrigues |
| Iara Ceres De Oliveira Figueiredo |
| Martinho Vasconcelos De Oliveira Junior |
| Mauro José Bisco |
| Vagner Aparecido Gomides |
Categoria Natural
| Adriano Peres Eleotério Coelho |
| Claiton Oliveira De Moraes |
| Clyciane Aparecida Da Silva Machado Rodrigues |
| Divino De Carvalho Garcia |
| Edna Maria Rodrigues Queiroz |
| Joana Darc Cintra Araújo |
| Letícia Cintra Barbosa |
| Marilise Pimenta Faleiros |
| Nilza Aparecida Magalhães Cassis |
| Valéria Cintra Barbosa |

Outras Notícias