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Consumo de café cresceu 3,5% no Brasil em 2015, indica Abic
Consumo de café cresceu 3,5% no Brasil em 2015, indica Abic
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Consumo de café cresceu 3,5% no Brasil em 2015, indica Abic

por Valor Econômico: Diferentemente de outros segmentos de consumo do país, o de café parece estar sendo poupado pela crise. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) indica um aumento de 3,48% no consumo interno entre novembro de 2015 e fevereiro deste ano na comparação com o mesmo intervalo um ano antes. Entre novembro e 2014 e outubro de 2015, o consumo brasileiro havia alcançado 20,5 milhões de sacas, alta de 0,86% sobre os 12 meses anteriores, segundo a Abic. Se o ritmo de aumento visto entre novembro e fevereiro deste ano se mantiver, a demanda deve atingir 21,3 milhões de sacas, estimou Nathan Herszkowicz, diretor­executivo da Abic. A previsão inicial da associação era de crescimento entre 2% e 3% para este ano. A pesquisa, apresentada ontem em coletiva com jornalistas após o lançamento da 12ª Edição Especial dos Melhores Cafés do Brasil ­ Safra 2015, foi realizada entre março e abril deste ano. O fato de o café ser uma bebida de hábito diário, de custo baixo, é uma das explicações para o avanço do consumo a despeito da crise no Brasil, disse Herszkowicz. O presidente em exercício da Abic, Ricardo de Sousa Silveira, observou que o preço de um quilo de café equivale a menos de 2% do salário mínimo e "não interfere no orçamento". A melhoria da qualidade do café e seus benefícios à saúde também contribuem o aumento do consumo, segundo ele. Mas Herszkowicz reconheceu que o consumidor mais afetado pela crise tem recorrido a marcas de café mais baratas. Em 2015, o preço do café no varejo subiu, em média, 18%. A pesquisa da Abic foi feita com 78 empresas associadas à entidade, que representam 19% do volume de café consumido no Brasil. O levantamento mostrou ainda que 44,87% das companhias esperam vender mais café este ano e igual percentual prevê manter os volumes de venda. Para Silveira, a razão para essa expectativa também é a perspectiva de uma "boa safra" de café no Brasil, acima de 53 milhões de sacas no ciclo 2016/17. "A chuva ajudou. Temos notado lavouras sadias, com peneiras altas para o arábica", disse. No caso da safra de conilon, porém, deve haver queda, já que o maior produtor do Brasil, o Espírito Santo, sofre com a seca. Ainda de acordo com a pesquisa, 81% das empresas consultadas avaliam que haverá disponibilidade suficiente de café em 2016. Outra pesquisa, da consultoria Euromonitor, feita sob encomenda para a Abic corrobora a percepção de que o café está sendo poupado. Conforme a Euromonitor, o consumo brasileiro deve avançar 2,8% em média entre 2015 e 2019, para um total de 1,126 milhão de toneladas. O levantamento indica ainda que a participação do café em pó no total vai ficar quase estável entre  2014 e 2019 (8o% e 81%, respectivamente). A fatia do café em cápsulas, porém, vai dobrar no período, para 1,1%. Embora continue com forte crescimento, o ritmo do avanço anual das cápsulas deve diminuir, segundo a pesquisa. "Era um mercado que vinha crescendo 30% ao ano,  mas deve avançar 15,3%", comentou Herszkowicz. A desaceleração indica que o consumo nas classes A e B também está sendo afetado.