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COOPERATIVISMO: ENGRENAGEM INVISÍVEL DO AGRO BRASILEIRO
COOPERATIVISMO: ENGRENAGEM INVISÍVEL DO AGRO BRASILEIRO
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COOPERATIVISMO: ENGRENAGEM INVISÍVEL DO AGRO BRASILEIRO

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por Evaristo de Miranda:

O cooperativismo é um dos pilares do agronegócio brasileiro. Com produtividade acima da média de todos os setores onde atua, ele reúne cerca de 20% dos produtores. Essa superioridade decorre, em grande medida, do compartilhamento de tecnologia, assistência técnica, infraestrutura e poder de mercado e da capacidade de iniciativa dos cooperados.

O Dia Internacional das Cooperativas ou do Cooperativismo (conhecido como Coops Day) é celebrado no primeiro sábado de julho. A data foi estabelecida pela Aliança Cooperativa Internacional há mais de 100 anos, em 1923. Em 1995, a data foi oficialmente reconhecida pela ONU.

Em 2026, o tema do Coops Day é “Cooperativas por um Mundo Pacífico”. Ele reflete a capacidade singular do modelo cooperativo de unir pessoas, fortalecer a coesão social e promover sociedades pacíficas e inclusivas. É um apelo coletivo do movimento cooperativo global em favor da paz.

A primeira cooperativa moderna surgiu em Rochdale, na Inglaterra, em 1844. Um grupo de 28 tecelões enfrentava condições precárias. Eles se uniram para criar o próprio armazém. Compravam alimentos em conjunto para obter melhores preços e repartir os excedentes. Esse grupo estabeleceu os Princípios de Rochdale, hoje fundamentos do cooperativismo mundial.

As primeiras experiências cooperativistas chegaram ao Brasil no século XIX, com a imigração europeia no Sul. A Colônia Teresa Cristina (PR), fundada em 1847, experimento de socialismo utópico, idealizado por Jean M. Faivre, teve o apoio do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina.

Oficialmente, o movimento cooperativista teve início com a criação da Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, em Minas Gerais (1889), focada no consumo de produtos agrícolas.

O cooperativismo de crédito surgiu com o padre suíço Theodor Amstad. Ele fundou em 1902 a primeira cooperativa de crédito em Nova Petrópolis (RS). Seu modelo ainda hoje é a base de instituições, como o Sicredi.

No setor agropecuário existem cerca de 1,2 mil cooperativas. Elas congregam um pouco mais de um milhão de produtores rurais, respondem por 53% da produção nacional de grãos e fibras e por cerca de 80% da produção de carne suína. E movimentam mais de R$ 438 bilhões por ano.

O Norte e, sobretudo, o Nordeste têm sido historicamente refratários ao cooperativismo. As maiores cooperativas estão no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Como por exemplo: a Coamo, a Copersucar, a C.Vale, a Lar Cooperativa, a Aurora Coop, a Frimesa e a Cooxupé (líder mundial no setor cafeeiro).

O sucesso do cooperativismo trouxe tensões crescentes entre seus princípios democráticos históricos e as exigências econômicas de um mercado globalizado. Como garantir viabilidade econômica e competitividade a longo prazo, sem confrontar os princípios originais do cooperativismo?

Como lidar com a baixa dos preços das commodities e os elevados custos de produção? Manter margens estáveis diante da pressão de grandes varejistas e da concorrência internacional exige capacidades significativas de investimento em infraestrutura industrial, logística e até na comercialização.

O perfil do agricultor torna-se cada vez mais diversificado. As cooperativas modernizam sua governança para oferecer serviços mais personalizados e manter o engajamento dos associados. As altas taxas de juros, a deficiência da infraestrutura logística brasileira e o acesso limitado ao crédito dificultam a inovação, os investimentos e a expansão para novos mercados.

Como construir mecanismos de financiamento compatíveis com a demanda do mercado, capazes de sustentar os investimentos necessários e, simultaneamente, proteger a renda dos produtores rurais cooperados em um ambiente marcado pela insuficiência do seguro rural?

O ecossistema cooperativo enfrenta o desafio da blindagem institucional. Investigações do Ministério Público de São Paulo e do GAECO revelaram casos de infiltração de integrantes do PCC em cooperativas e no transporte alternativo para lavar dinheiro do tráfico. Investigações indicaram dirigentes e associados envolvidos. Apurações apontaram corrupção de agentes públicos e vazamento de informações para proteger atividades ilícitas. Embora excepcionais, esses episódios evidenciam a necessidade permanente de transparência, controle interno e fiscalização.

O modelo cooperativista, em estruturas como a Organização das Cooperativas do Brasil (Sistema OCB), consolida-se como uma alternativa vital diante das crises econômicas globais. Face a concentração econômica e a fragmentação social, o cooperativismo permanece como uma das raras instituições capazes de combinar eficiência empresarial, solidariedade e desenvolvimento territorial. Aí resida sua força mais silenciosa e duradoura.