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Mercado calmo nesse início de ano
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Mercado calmo nesse início de ano
por Carvalhaes:
Tradicionalmente o mercado físico brasileiro de café costuma ser calmo nas duas primeiras semanas do ano. Em 2019, os negócios foram ainda mais lentos devido aos baixos preços oferecidos pelos compradores e a grande expectativa dos brasileiros com as mudanças que deverão ser feitas pelo novo governo liderado por Jair Bolsonaro. Em Nova Iorque, os contratos de café negociados na ICE Futures US trabalharam em altas moderadas e os com vencimento em março próximo ganharam 225 pontos na semana. A alta acontece mais devido à queda do valor do dólar frente ao real nas últimas semanas com o otimismo dos mercados com as primeiras medidas anunciadas pelo novo governo.
Os números divulgados sobre o crescimento da produção e das exportações brasileiras de café acabam sendo usados pelos operadores para pressionar as cotações em Nova Iorque e consequentemente no físico brasileiro.
O forte e constante crescimento do consumo mundial, ano após ano, tanto nos mercados tradicionais como em novos mercados na Ásia, com o da China, chamam a atenção e criam manchetes nos noticiários e jornais ao redor do mundo, mas quase não influem nas bolsas, onde os operadores estão voltados ao curto prazo e ao resultado que alcançarão no final do mês.
A OIC – Organização Internacional do Café em seu relatório sobre o mercado de café de dezembro de 2018, divulgado esta semana, coloca a manchete: “Segundo ano de excedentes previsto para 2018/19”. Para a OIC a produção global deve alcançar 167,47 milhões de sacas e o consumo 165,18 milhões. Um excedente de um por cento em um mercado que conforme o mesmo relatório vem crescendo a dois por cento ao ano...
O relatório informa em seguida que “o excesso de oferta ainda pressiona os preços para baixo, e nos próximos meses a pressão provavelmente continuará”. Em dezembro de 2018 a média mensal do indicativo composto da OIC caiu 8,2%, para 100,61 centavos de dólar. O relatório segue informando que as exportações mundiais de café perfizeram 9,88 milhões de sacas em novembro de 2018, em comparação com 9,35 milhões em novembro de 2017, aumentando 5,7%. Em seguida informam prováveis quedas de produção no novo ano-safra em importantes produtores como Vietnã, Indonésia, Honduras e Índia (veja o relatório completo em ico.org).
Citamos trechos do relatório para voltar ao tema de que só o que acontece em curto prazo (o crescimento da produção e das exportações neste ano-safra) interessa aos analistas e aos operadores, com seus programas baseados em algoritmos e, cada vez mais, em inteligência artificial. Já os produtores precisam tomar suas decisões pensando no que acontecerá a médio e longo prazo.
Sobre as profundas mudanças que estão acontecendo no modo de se trabalhar com as bolsas recomendamos a leitura do artigo “Como os algoritmos mudaram o ritmo do mercado financeiro” (Robin Wigglesworth – Financial Times), publicado ontem, dia 10, no jornal Valor Econômico.
Até dia 10, os embarques de janeiro estavam em 564.330 sacas de café arábica, 15.787 sacas de café conillon, mais 18.229 sacas de café solúvel, totalizando 598.346 sacas embarcadas, contra 989.828 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o mesmo dia 10, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro totalizavam 1.023.636 sacas, contra 1.658.955 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 4, sexta-feira, até o fechamento do dia 11, subiu nos contratos para entrega em março próximo 225 pontos ou US$ 3,37 (R$ 12,51) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 4 a R$ 499,69 por saca, e dia 11 a R$ 510,07. Na sexta-feira, dia 11, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 40 pontos.
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