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RETROSPECTIVA: Café teve ano positivo para produtor, apesar das crises
RETROSPECTIVA: Café teve ano positivo para produtor, apesar das crises
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RETROSPECTIVA: Café teve ano positivo para produtor, apesar das crises

por Agência Safras: O ano de 2016 foi difícil na economia brasileira, que “andou para trás”, com crescimento negativo do PIB (Produto Interno Bruto). E a tensão política interna ganhou ares de “guerra civil”, como destaca o analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach. Para ele, em um ano em que não houve ganhadores, o mercado de café chegou a surpreender positivamente. Não no caso do conilon, “porque de nada adianta ter preço recorde se não tiver produto para vender”, indicou, referindo-se à grande quebra de safra desse café no país. O resultado positivo veio do arábica, onde a safra cresceu no Brasil esse ano. O arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures), que no primeiro trimestre do ano chegou a ser negociado a 111,50 cents, acabou subindo e atingiu pico acima de 175 centavos, no início de novembro. “E, mesmo depois da correção, ainda sustenta uma boa vantagem em relação ao inicio do ano, confirmando a ideia de preço mais firme”, comenta. Entretanto, o mercado flerta rumo ao final do ano com a linha de US$ 1,40 a libra-peso, por conta das indicações de bom fluxo de exportações do Brasil e chegada da oferta de outras origens. O mercado físico interno, além da ICE, também encontrou apoio no dólar. E, em novembro, com cotação do arábica duro com 15% de catação atingindo entre R$ 575,00 a R$ 580,00 no Sul de Minas, atingiu seu melhor momento em 2016. “Foi um ano de grande volatilidade nas cotações. E, por isso, de boas oportunidades aos vendedores, especialmente aqueles que souberam dosar suas posições de venda. Para esses produtores, o ano comercial foi positivo, apesar de todas as noticias ruins”, comentou Barabach. Perspectiva 2017 A safra brasileira de café 2016 terminou o ano melhor que o esperado. Segundo Barabach, é fato que os números de conilon vem sendo revisados para baixo, mas a alta do arábica compensa com folga essa queda. “Por isso, em linhas gerais, o Brasil produziu mais café do que era projetado inicialmente, o que alivia o tom de aperto e, por extensão, suaviza o potencial de alta dos preços para o começo de 2017”, comenta. Para o analista, em termos gerais, o ano de 2017 tende a ser de preços sustentados. O mercado deve buscar consolidar o movimento errático de alta em 2016. “Só para lembrar, a posição do arábica na ICE em NY foi de 111 a 175 cents, para fechar o ano próximo de 140 cents”, indicou. Mas, em meio à consolidação, o mercado deve ficar sujeito a oscilações, acredita o analista, por conta de temores climáticos ou por uma postura mais agressiva de algum comprador mais curto de alguma descrição, especialmente no físico interno. E o mercado deve se voltar cada vez para a próxima safra brasileira, diz o analista. “Se espera uma produção ligeiramente melhor no conilon e bem menor no arábica, o que deve resultar em uma safra brasileira de 2017 menor que 2016. E isso deve ajudar o mercado a consolidar a mudança de patamar para cima nos preços, iniciada em 2016”, aponta. Já o dólar busca acomodação, dentro de uma linha de leve avanço, estima o analista. A gestão de Trump nos EUA e crise política interna seguem no radar. “Para o café, talvez, seja um ano com menos oportunidades, uma vez que tanto o câmbio como a ICE sinalizam amadurecimento em suas curvas. Mas, não por isso, será um ano ruim para o produtor. E, atenção, pois as ideias atuais para safra nova ainda são bem convidativas, o que sustenta perspectivas positivas para os produtores em 2017”, conclui o analista. Há de se destacar reiterar como fato importante a escassez na oferta de conilon, que tem gerado grande debate sobre a liberação de importações do robusta vietnamita, frente às dificuldades que a indústria do torrado e moído e do solúvel. Um consenso está longe de ser formado na cadeia café, com a indústria pressionando pela liberação das importações e com os produtores resistindo, contrários às compras externas.