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Vendas de café estão fracas no início de janeiro, mas preços sobem no Brasil
Vendas de café estão fracas no início de janeiro, mas preços sobem no Brasil
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Vendas de café estão fracas no início de janeiro, mas preços sobem no Brasil

Ano de 2026 deve ser novamente marcado por elevada volatilidade nas cotações do grão

Por: Globo Rural

Com poucos compradores ativos no mercado físico nacional e com vendedores praticamente ausentes, as negociações envolvendo café estão bastante restritas neste começo de ano, destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Os poucos lotes comercializados tiveram como objetivo o cumprimento de despesas de curto prazo por parte dos vendedores. A expectativa é de que o mercado comece a ganhar maior dinamismo apenas a partir da próxima semana.

Para o robusta, os negócios também permanecem lentos. No entanto, como a safra 2025/26 dessa variedade foi mais volumosa, os produtores ainda detêm uma quantidade maior de café disponível para comercialização em comparação ao arábica. Além disso, dados do Cepea mostram que as cotações do robusta ao longo de 2025 apresentaram queda mais intensa do que as do arábica, o que tem afastado produtores do mercado, levando-os a negociar apenas em momentos de necessidade de caixa.

Nesta terça-feira (6/1), o indicador Cepea/Esalq do café arábica registrou a cotação de R$ 2.237,54 a saca de 60 quilos, uma alta de 2,89% em relação ao fechamento de 2025. Para o café robusta, o preço médio era de R$ 1.265,99 a saca, elevação de 0,16% no mesmo comparativo.

Segundo o Cepea, o ano de 2026 deve ser novamente marcado por elevada volatilidade nas cotações do café. Com o início do ano ainda caracterizado por estoques apertados, mesmo com a colheita do Vietnã em andamento, a menor disponibilidade global de café tende a manter os preços em patamares mais elevados, cenário semelhante ao observado em grande parte do segundo semestre de 2025.

Ainda que haja sinais de desaceleração da demanda doméstica e internacional, a restrição na oferta deve seguir exercendo influência relevante sobre as cotações. Esse suporte aos preços tende a permanecer até que haja maior clareza sobre o enchimento dos grãos e sobre o desempenho do último terço da safra brasileira. Somente a partir desse avanço será possível realizar análises mais consistentes dos quadros de oferta e demanda e, consequentemente, da formação de preços.

No Brasil, o desenvolvimento da safra 2026/27, cuja colheita deve se iniciar majoritariamente após maio de 2026, vem ocorrendo sob condições climáticas mais favoráveis do que as registradas em anos anteriores, apontam pesquisadores do Cepea. Esse ambiente climático traz expectativa de recuperação do parque cafeeiro, que há cerca de cinco safras vem sendo afetado por adversidades climáticas que comprometeram a produção.

Além disso, a safra 2026/27 é caracterizada por bienalidade positiva, que, aliada ao clima mais favorável, reforça o otimismo dos produtores. As primeiras projeções divulgadas por consultorias indicam uma produção superior a 70 milhões de sacas, refletindo tanto a recuperação do arábica quanto o bom desempenho do robusta.

Quanto às exportações, a safra 2025/26 deve registrar um volume exportado inferior ao observado em temporadas anteriores, em razão da menor oferta e da redução da disponibilidade de café para comercialização.